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EntrElas

20/10/2021

Piauí | 14min | Experimental | 2021
Direção: Débora Lopes

 

As tomadas de EntrElas

Na pandemia, para mim, a dança foi a arte que melhor se adaptou ao formato virtual. Fosse visitar um museu virtualmente, ou ler um e-book, ou todos os streaming do mundo nunca superavam a ida ao cinema. O teatro então, este está bem perdido com a pandemia. Mas nos 19 meses de isolamento social, os espetáculos de dança se tornaram outra coisa, principalmente pela descoberta do diálogo do corpo de quem dança com a lente da câmera.

Falei tudo isso para dizer que este é o ponto alto de ENTRELAS – I ATO, do coreodiretor Robinson Levy e interpretado por Débora Lopes. As possibilidades desse tipo de performance são inúmeras pois superam os limites do corpo humano. A dança se faz pelo movimento da câmera e pela montagem e edição das imagens. Cenas sobrepostas e detalhes que gritam são alguns exemplos do que dá para fazer.

Acontece que o corpo a se movimentar não é tudo em um produto audiovisual como este. Ele pode até ser, se você colocar o bailarino em um fundo totalmente preto ou branco (como o exemplo do clip de Single ladies). Acontece que Débora está dançando em um lugar não muito determinado, que não parece ser um cenário pensado para o que ela está transmitindo.

Me explico: o cenário é uma parede pintada de preto com o desenho de uma figura feminina e alguns dizeres. Além disso, há diversas tomadas. Toda hora eu saía do mergulho em que me encontrava da performance a pensar “por que tem estas tomadas aí? Que lugar é esse?”, quando talvez foi apenas o lugar onde eles conseguiram filmar. E se eles tivesse então coberto as tomadas de preto e elas então sumissem da composição?

Isso eu estendo à mesa redonda de plástico em que Débora se maqueia, ou o azulejo sobre o qual ela dança. Me perdi se estes elementos faziam parte da composição de uma personagem em sua casa ou era da performance em um espaço. Sugiro que na filmagem dos demais atos, o espaço onde será filmado seja pensado como cenário. Isso vai valorizar ainda mais a performance da dançarina e o poder da câmera do coreodiretor.

 

[Por Ítalo Damasceno]