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Hortelã

20/10/2021

Piauí | 14 min | Ficção | 2021

Direção: Thiago Furtado

 

Histórias de amor são sempre histórias de como encontramos e perdemos pessoas e o apoio com o qual contamos nos momentos mais delicados.

A sacada do curta de Thiago Furtado e Ítalo Damasceno é contar essa história pelo ponto de vista desse apoio emocional, que calha de ser o mesmo para ambos os jovens em fim de relacionamento.

Dinha trabalha na casa de um e é avó de outro.

E esse artifício dramático pode até soar artifício de roteiro [e é], mas é um bom gatilho para entrelaçar todos os temas e as questões que o filme atravessa.

Thiago e Ítalo assinam juntos o “crédito de vaidade”, embora o primeiro assine a direção e o segundo divida com o outro a autoria do roteiro.

Não é a primeira vez que vejo esse tipo de movimento recentemente, diretor e roteirista compartilharem a “autoralidade” da produção.

Fiz isso em “No Meio do Caminho”, um média esquecido lá de 2004, quando usei “Um filme de” para listar a equipe inteira – a fim de conferir justiça e baixar um pouco a bola da teoria do autor.

Tolas pretensões à parte, depois disso nunca mais usei o “crédito de vaidade”; há tão pouco tempo para ser vaidoso na jornada que é produzir algo no nosso país… ou nosso Estado.

Trouxe isso à tona porque esta parece ser uma época mais propícia que a de 2004 para refletirmos e questionarmos certos paradigmas que extrapolaram seu próprio tempo e apenas se automatizaram, perderem o sentido inicial.

Volto ao filme.

Thiago Furtado oferece uma direção descomplicada, e toda a simplicidade cinestésica do filme permite que a história avance com delicadeza e desenhe sem atropelos a atmosfera afetiva dos personagens.

Na verdade, o diretor deixa que os personagens guiem a narrativa, apoiando-se, até onde é possível, no que cada ator tem a oferecer.

Ao lado de nomes já consagrados por essas bandas como Silmara Silva [numa ingrata “vilã” arquetípica] e Edite Rosa [o estereótipo oposto], os ainda poucos conhecidos Zé Reis e Nilton Barbosa apresentam a desenvoltura responsável pelas cenas de maior verdade da produção, sejam contracenando entre si ou com as duas atrizes.

O casting desses meninos sem dúvida é o que há de refrescante aqui.

Junto com o olhar absolutamente comovente de Edite Rosa, cuja Dinha é o coração que tenta colar os corações quebrados.

Com uma ajudazinha marota do chá de hortelã.

 

[Por F. Monteiro Júnior]