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Praia dos tempos

20/10/2021

 

Bahia | 11 min | Ficção | 2021
Direção: Luan Santos

 

A simplicidade da produção – são praticamente dois cenários que se revezam, com a câmera sempre na mão, muitas vezes desengonçada, sem “técnica” – só evidencia a potência de uma mensagem transmita com clareza.

Junto com os ecos do afeto que quase não se contém nos limites dos quadros dirigidos por Luan Santos, e por várias vezes a falta de uma pretensa sofisticação narrativa é o que permite a história ser pura a ponto de ir sem escalas intelectualizantes para o coração do espectador.

Um curta que não precisa de discursos para si explicar, de teorias, de referências obscuras e autocontidas; o filme fala por si só, transita por lugares, tempos, questões, questiona e responde sem qualquer necessidade de diálogo entre suas personagens.

Entre as versões de sua personagem, seria mais acurado dizer, fazendo a história – sim, tudo é história, ação, movimento, parte de algo para chegar em outro, mesmo sem sair do lugar – avançar na sinergia das três atrizes.

Tratar da autoaceitação, do preconceito de cor, da gordofobia, nunca será fora de tempo enquanto não for matéria social superada, riscada da cartilha e da programação cultural da vida em sociedade; corpos são corpos e devem ocupar os mesmos espaços.

Ainda bem que a produção audiovisual independente está livre dos algoritmos que padronizam os padrões de beleza a serem plastificadas.

Ainda…

 

[Por F. Monteiro Júnior]