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Suellen e a Diáspora Periférica

20/10/2021

Minas Gerais | 4min | Documentário | 2020
Direção Renata Dorea

 

Quo vadis, Suellen?*

“Foto é um espelho com memória”. Não me lembro de quem é esta frase, mas ela não saiu mais da minha cabeça desde quando vi SUELLEN E A DIÁSPORA PERIFÉRICA, de Renata Dorea (MG).

Em um sentido direto, claro que me refiro à montagem simples, bela e eficiente utilizando apenas retratos da vivência íntima de Renata Suellen — vou chamá-la assim porque este texto não é para a Renata-diretora, nem para a Suellen-personagem, é para a Renata Suellen que está entre as duas e que é as duas, ao mesmo tempo que é outra — e sua família, que saíram de São João do Meriti (RJ) para ir viver em outro lugar em busca de uma vida melhor, mais tranquila com sorte.

Renata usa as fotos de Suellen para nos contar que havia esquecido de Sullen e agora vai lembrar. Que uma diáspora não é só um processo de deslocamento, é também de esquecimento, de tentar esquecer. E o quanto a Baixada Fluminense, geralmente citada como ponto final de pessoas que vieram dos outros lugares e acabaram por lá, na história de Renata Suellen é seu ponto de partida.

Aliás, o ponto de partida continua lá. A avó continua lá, o rio continua lá enchendo, o Rio continua lá enchendo.

O ponto de partida pode virar ponto de chegada mais uma vez, por que não? Por enquanto, ficar aqui tá bom, diz a voz da avó sobre as imagens do google maps (que a gente esquece, mas também são fotos). Elas também contam a história. E a avó fala até a hora da última diáspora, aquele que todo mundo faz sozinho e que não se tem notícia de volta.

Renata tá em Minas Gerais. Suellen parece viajar para Minas agora. Renata Suellen “é apenas um retrato na parede. Mas como dói”. E como é lindo.

*Tradução: Onde vais, Suelle?

[Por Ítalo Damasceno]