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Vagalumes

20/10/2021

Rio de Janeiro | 19min | Ficção | 2021
Direção: Léo Bittencourt

Quando chega o breu da noite, que vagalumes você enxerga? Esta é a pergunta de Vagalumes, filme de Léo Bittencourt (RJ).

Diferente dos vagalumes de locais fora da zona urbana, que brilham mais forte quanto mais escura é a noite, os vagalumes urbanos só podem ser visto à meia luz, no jogo claro escuro resultado do encontro da luz dos postes com as sombras débeis das árvores das praças e parques de uma cidade. É ali que eles se concentram, se encontram e, se você tiver olho, serão vistos.

No filme, ninguém tem rosto. São filmados de longe, pois são seres que a proximidade os faz escaparem. Há uma espécime entre eles que buscam a proximidade total, mas a escuridão é o preço a se pagar por ela. Outros, nós que desejamos que a luz não penetre com força, pois a imagem deve machucar nossas sensíveis retinas. Mas não será a luz a nos machucar, mas o que ela revelaria.

A câmera que nos engana e, sem a gente querer, uma hora encontra uma fresta por entre as folhagens das árvores, é extremamente técnica. Ela parece passear, mas ela tá nos conduzindo sabendo exatamente onde vai.

E o espectador no fim pode se perguntar: tudo isso acontece e eu não vejo? Se a resposta for sim, cuidado, porque eles podem estar mais na luz do que você pensa, mas aí a escuridão não vem mais da copa das árvores.

[Por Ítalo Damasceno]