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Visões de Copacabana – uma breve trilogia do acaso

20/10/2021

Rio de Janeiro | 19 min | Documentário | 2021
Direção: Rita Brás

 

“I see wonderful things corvered in pingeon shit.”

Mas não é Lord Carnavon abrindo a tumba de Tutankhamon, e sim o antropólogo estadunidense Thadeus Blanchette encontrando obras perdidas do incêndio do Museu Nacional em 2018 num improvável lugar de Copacabana, descoberto de maneira ainda mais improvável.

Isso em meio à convulsão sócio-política deflagrada no Brasil recente com o advento da extrema direita no poder e do bolsonarismo minando pautas e conquistas LGBTIA+.

Tudo puxado pelo fio nostálgico da documentarista portuguesa Rita Brás, já há um tempo vivendo nessa ponte aérea Lisboa-Rio de Janeiro.

A pandemia da covid-19 proporcionando buscas interiores, aqui registradas numa inusitadíssima narrativa documental, ensaística e reflexiva.

E o relato acima se trata apenas da primeira parte dessa trilogia de saudades, tesouros, descaminhos, fugas e encontros.

Pois os exílios se cruzam, de uma portuguesa e de uma brasileira, ambas cineastas em seus próprios processos, fazendo o mesmo trajeto em direções opostas, experienciando saída e retorno ao berço geográfico-afetivo.

As casas que construímos.

As casas que abandonamos, mesmo temporariamente.

As casas às quais regressamos em algum momento para nos questionarmos sobre as casas dos outros, como tudo se perde e se acha, parece perto e distante ao mesmo tempo.

O acaso costura bem o próprio acaso.

 

[Por F. Monteiro Júnior]